Pandemia que acelera


 *Milton Bigucci

No dia 18 de março de 2020 desembarquei dos EUA, onde fui visitar meu filho e sua família. Cheguei ao Brasil pelo aeroporto de Viracopos, em Campinas, e a pandemia que eu vi foi de um dano muito grande à população, principalmente pela doença, pela agitação produzida por parte da imprensa e pelos políticos com dados fúnebres várias vezes ao dia, criando um medo mortal na população.

Ensinar o povo a se defender com higiene e sem aglomeração ok, porém, criar o medo, não.

Os governantes com medidas políticas, com cloroquina ou sem cloroquina, um absurdo. Não estávamos preparados, tanto que, algumas medidas restritivas como a de só circular carros com placas ímpares em dia ímpar, pares em dia par, em 3 dias foram retiradas pelo erro cometido pelos governantes. 

Trabalhei direto todos os dias, desde o dia 18 de março de 2020, nunca lavei tanto as minhas mãos e rosto, sem participar de qualquer aglomeração. 

O que aprendemos com tudo isso? A não ficar parado, a dar mais valor às amizades, à responsabilidade social para ajudar quem precisa, tivemos muita perda de emprego no Brasil. Os que já faziam, aprimoraram essas atitudes. 

Saímos da nossa zona de conforto, tivemos de nos reinventar, principalmente na questão digital. Tudo virou online, vendas, reuniões, cursos, escolas, lazer, até o happy hour e almoço em família passaram a ser virtuais. Difícil acreditar e se acostumar para quem tem mais idade como eu (78 anos).

O setor imobiliário, que já havia iniciado no marketing digital, pisou de vez no acelerador com tours virtuais nos imóveis, atendimento por vídeo chamada, documentação digital do imóvel, entregas online. Nós, na MBigucci, por exemplo fizemos duas com grande aceitação dos clientes do Domani, que fica em São Bernardo do Campo (28/04/2020) e do New Life, no Ipiranga/SP. Nesse quesito digital, as empresas evoluíram em meses o que levariam anos no processo tradicional.

Por outro lado, deixei de jogar meu futebol, coisa que adoro jogar com os amigos do CAY (Clube Atlético Ypiranga) e do SAJA (Sociedade Amigos do Jd. Acapulco), mas logo voltaremos, se Deus quiser. 

A economia quase parou no nosso ramo da construção civil. As obras continuaram, mas as vendas, logo no início, reduziram praticamente a zero. Agora vem melhorando aos poucos, e acreditamos que o setor tenha uma retomada até o final do ano. 

Temos conseguido manter nossa empresa praticamente sem demissões, reduzimos a jornada de trabalho e fizemos algumas adequações, procurando manter o máximo possível na ativa. Isto também é responsabilidade social. Infelizmente mais de 600 mil micro e pequenas empresas fecharam as portas, segundo o Sebrae Nacional.

A pandemia provocou uma extinção massiva de postos de trabalho. De acordo com a pesquisa do PNAD divulgada em 1º de julho de 2020, entre os meses de março a maio, o Brasil  perdeu 7,8 milhões de postos de trabalho comparados ao trimestre anterior. No total, já são 12,7 milhões de desempregados. Esse número só não é maior, porque muita gente deixou de procurar emprego. O Governo Federal tem ajudado a manter essa população mais carente com 65 bilhões de reais, fornecendo auxílio emergencial de R$600,00 por mês. 

São mais de 1,5 milhão de pessoas contaminadas e 61 mil mortos no Brasil, isso até julho/2020, pois os números crescem rapidamente. 

A esperança é que já há centenas de estudos de vacinas e medicamentos bem encaminhados, alguns já em teste no Brasil. 

Que tudo isso acabe o quanto antes, e que possamos voltar à rotina mais fortalecidos com as aprendizagens vividas nesse período.

*MILTON BIGUCCI – é presidente da construtora MBigucci, conselheiro vitalício e membro do Conselho Fiscal da Associação dos Construtores do Grande ABC, membro do Conselho Consultivo Nato do Secovi-SP e do Conselho Industrial do CIESP, conselheiro vitalício da Associação Comercial de São Paulo e conselheiro nato do Clube Atlético Ypiranga (CAY). Autor dos livros “Caminhos para o Desenvolvimento”, “Somos Todos Responsáveis – Crônicas de um Brasil Carente”, “Construindo uma Sociedade mais Justa”, “Em Busca da Justiça Social”, “50 anos na Construção” e “7 Décadas de Futebol”, e membro da Academia de Letras da Grande São Paulo, cadeira nº 5, cujo patrono é Lima Barreto.

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